Anoria, um wearable que promete monitorar o seu estado mental

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Anoria, um wearable que promete monitorar o seu estado mental
  • Desenvolvido por ex-engenheiros da Apple e da Meta, o Anoria quer mapear emoções e padrões de estresse
  • O discurso, no entanto, revela uma velha obsessão do setor de bem-estar: transformar tudo em produtividade

Desenvolvido por engenheiros da Apple e da Meta, o Anoria promete te ajudar a entender melhor seu estado de espírito, suas emoções. Por que você perdeu a cabeça com seu colega de trabalho? Por que respondeu seu filho de forma impaciente? Ou, ainda, por que saiu esgotado depois de uma reunião com um cliente específico? São esses tipos de pergunta que esse novo wearable quer responder.

Primeiro acessório voltado para inteligência emocional no mercado, o Anoria se parece com uma pulseira de prata e vai se conectar com o calendário e o tocador de música do usuário. A ideia é rastrear, assim, o tipo de atividade que deixa cada um mais estressado e que tipo de música ativa cada estado de espírito (alegria, calma, foco, energia). Com o tempo, a expectativa é ser capaz de criar um mapa de padrões emocionais. A propaganda oficial defende que ao ser capaz de ler suas emoções, o usuário ganhará controle da sua própria história, da sua vida.

De outro lado, esse discurso parece vazio quando nos deparamos com as primeiras falas do CEO do Anoria, Michael Balhassen, sobre que história é essa que seu produto promete ajudar a criar. Ao apresentar o wearable em sua página no LinkedIn, Balhassen escreveu: “a forma como você se sente a cada momento muda a maneira como você pensa, cria, toma decisões e age com as pessoas. Os líderes de amanhã não serão os mais inteligentes na sala, serão os mais autoconscientes”. A proposta da Anoria, então, parece não ser exatamente nos ajudar a entender nossas emoções para termos vidas mais saudáveis e vivermos com mais paz. Ao contrário, a fala deixa claro que o objetivo aqui é entender as emoções para nos tornarmos mais eficientes, produtivos e bem-sucedidos (o que na visão de Balhassen parece ser sinônimo de riqueza e poder). Uma novidade que chega com uma mania que está ficando velha no setor do bem-estar: reduzir tudo a produtividade.