Burnout: o que é e por que os afastamentos têm crescido tanto no Brasil

Burnout: o que é e por que os afastamentos têm crescido tanto no Brasil
  • Reconhecido como doença relacionada ao trabalho pela OMS em 2022, o burnout está ligado ao estresse crônico no trabalho. No Brasil, os afastamentos pela condição cresceram 823% entre 2021 e 2025
  • Especialistas apontam que o aumento reflete tanto a precarização do trabalho quanto uma cultura que coloca a carreira no centro da vida e da identidade das pessoas

O burnout foi identificado ainda nos anos 1970 pelo psicanalista americano Herbert Freudenberger. Na época, ele criou o conceito para nomear o esgotamento físico e mental que vinha observando entre profissionais de saúde envolvidos em práticas de cuidado, especialmente na assistência a pessoas com dependência química. Hoje, no entanto, o esgotamento ligado ao trabalho é uma realidade cada vez mais recorrente na sociedade. No Brasil, por exemplo, dados do Ministério da Previdência Social, divulgados pelo g1, mostraram que os afastamentos por burnout aumentaram 823% entre 2021 e 2025.

Em 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu o burnout como um esgotamento físico e mental causado por estresse crônico em um ambiente de trabalho mal gerenciado. Segundo a organização, três sinais ajudam a caracterizar o burnout: a sensação de exaustão ou falta de energia, um distanciamento do trabalho e dos colegas e a queda de produtividade. A professora de psicologia de Yale Laurie Santos amplia essa descrição. Para ela, a exaustão é principalmente emocional: não importa o quanto você descansa, a sensação de sobrecarga não passa. Além disso, o distanciamento do trabalho vem junto com uma certa impaciência com os colegas e uma percepção negativa das demandas do dia a dia. Por último, existe uma sensação de fracasso ou de que seu trabalho não tem valor.

Mas o que explica o crescimento do burnout? Para muitos especialistas, a raiz desse problema é uma combinação de três fatores: a precarização das condições de trabalho, o maior reconhecimento do problema e mudanças na forma de identificar problemas de saúde mental relacionados ao ambiente laboral. As causas do burnout, portanto, não são meramente individuais: o quadro se desenvolve em uma cultura que coloca o trabalho no centro da vida.

Em entrevista ao podcast de The Happiness Lab with Dr. Laurie Santos, Jonathan Malesic, ex-professor universitário e autor do livro O fim do Burnout: Por que o trabalho nos esgota e como construir vidas melhores, afirma que “um dos pilares da cultura americana, por exemplo, é a ideia de que você só conta, você só tem dignidade, se você tem trabalho remunerado”. Com isso, grande parte da nossa identidade é definida pelo trabalho, por um lado, e, por outro, acabamos tendo altas expectativas em relação à carreira, dando a ela um lugar central (se não, o principal) em nossas vidas.

Se você estiver sentindo algum desses sintomas e convive com uma sensação de sobrecarga constante, algumas medidas podem ajudar a reduzir seus impactos. Estabelecer limites entre vida pessoal e trabalho, evitar (mandar e responder) mensagens fora do expediente, criar pequenas pausas e reduzir a multitarefa são algumas delas. Já praticar exercícios de respiração pode ser uma saída em momentos de muita fadiga mental. Boas noites de sono e atividade física regular, sabemos há tempos: ajudam em praticamente todos os aspectos da nossa vida. Mas se nada disso ajudar, então é a hora de procurar ajuda profissional.

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