Muito mais que cafeína e taurina: de que são feitas as bebidas energéticas?

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Muito mais que cafeína e taurina: de que são feitas as bebidas energéticas?
  • O mercado global de energéticos movimentou 85 bilhões de dólares no ano passado e segue em expansão
  • Dos esportes radicais ao wellness: os energéticos trocaram de identidade para conquistar novos públicos

As primeiras bebidas energéticas chegaram no Brasil no final da década de 1990. Na época, o foco era exclusivamente o aumento de energia e estava muito associado a um universo masculino e de alguns esportes, como o skate e o surf. Hoje, aquela bebida que te dá asas comprou até time de futebol no Brasil, os energéticos ganharam novas fórmulas e estão cada vez mais fortes no mercado de bem-estar, ganhando espaço entre o público feminino. No início, os energéticos eram considerados bebidas muito artificiais e compostos basicamente por cafeína, além de conter altos níveis de açúcar. O cenário mudou: feitas para fins cada vez mais específicos, as bebidas tentam combinar cafeína extraída do chá verde, por exemplo, com aminoácidos como a L-teatina (também encontrada nos chás verdes e no matcha) e substâncias naturais, como o guaraná.

O último relatório feito pelo Energy Drinks Market mostrou que o mercado global de bebidas energéticas movimentou mais de 85 bilhões de dólares no ano passado. A estimativa é que o mercado ultrapasse a marca dos 150 bilhões de dólares até 2033. Desde a última década, os energéticos mudaram muito – de composição e cara. Os primeiros energéticos a chegarem no mercado misturavam basicamente cafeína, açúcar e carboidratos. Às vezes, continham também substâncias como a taurina e a glucuronolactona. As embalagens, por sua vez, tinham quase sempre cores fortes, detalhes em néon e tentavam criar vínculos com esportes radicais.

O mercado de energéticos passou anos vinculando sua imagem a esportes radicais e de alta performance

Hoje, a realidade é bem diferente. Muitos trazem tons mais neutros em suas embalagens e vendem seus produtos atrelados a um discurso do bem-estar. Existem inúmeras opções sem açúcar – até dos rótulos mais antigos, por exemplo. A mudança refletiria uma nova atitude dos próprios consumidores: continuam querendo ter mais energia, mas buscam uma energia mais duradoura e com mais ingredientes de origem natural. Aí é que entram o guaraná, o chá verde e a maca peruana. Os primeiros dois são considerados fontes de cafeína mais naturais. Já a maca peruana é extraída a partir da raiz de uma planta andina, é rica em vitaminas, minerais, carboidratos e proteínas. Apesar de não ter cafeína, também é considerada um energético potente. Outra fonte natural muito encontrada nas bebidas energéticas atuais é o ginseng. Considerada um adaptógeno e usada há milênios na medicina chinesa, esta planta ajudaria a lidar com estresse ao mesmo tempo em que reduz a fadiga.

Guaraná, maca peruana e chá verde

No fundo, o que essas novidades querem passar é a promessa de uma energia que não chega em picos. Se vai funcionar para todo mundo, depende de cada organismo. Mas o recado do mercado parece ser o de que a era do energético como dose de adrenalina artificial está cada vez mais no passado.

Referências

GVR Consumer F&B Research Team. Energy Drinks Market (2026-2033) (relatório). 2026.