Os dispositivos que querem monitorar tudo, do sono à ansiedade

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Os dispositivos que querem monitorar tudo, do sono à ansiedade
  • A tecnologia dos wearables avança rápido mas a medicina ainda opera em outra velocidade
  • Chips acoplados nos dentes, sensores de sono infantil e estimuladores do nervo vago estão entre as novidades do mercado

Os wearables têm inovado o mercado de tecnologia e bem-estar e estão cada vez mais precisos. Hoje em dia, monitoram praticamente tudo: frequência cardíaca, temperatura corporal, níveis de oxigênio no sangue, calorias, treinos e até os passos que você dá entre a sala e o quarto. São tantos dados, que alguns podem ficar perdidos, mas o objetivo dos wearables é ajudar a melhorar performance e medir a qualidade do nosso descanso.

Relógios, anéis e até headsets são alguns dos dispositivos de monitoramento disponíveis hoje.

Alguns usuários relatam uma certa ansiedade diante de tantos dados que a maioria não tem capacidade de interpretar sozinho (e a internet não tem diploma de medicina, vale lembrar). De outro lado, a clínica médica ainda parece operar por outra lógica, muito mais pontual e reativa, ainda distante da ideia de um monitoramento contínuo do paciente.

Ainda assim, muita gente tem ou quer ter a saúde e as atividades cada vez mais precisamente detalhadas: uma pesquisa da Cisco AppDynamics, feita em 2022, mostrou que 33% dos brasileiros tinham pelo menos um dispositivo de monitoramento de saúde deste tipo e que, pelo menos, 80% gostariam de aderir à tecnologia em um futuro próximo.

E se bater aquele nervosinho, a sugestão dos especialistas é focar em uma ou duas métricas específicas que podem variar de acordo com o objetivo de cada um – controle de atividade física e qualidade do sono para quem quer melhorar performance ou atenção à pressão se esta é uma questão para sua saúde.

LURA

Primeiro dispositivo de saúde ativado pela saliva, o Lura é um chip que o usuário pode acoplar diretamente no dente ou em um aparelho odontológico. A ideia é usar a saliva para monitorar de forma contínua marcadores que vão desde níveis de açúcar no sangue até pressão arterial de forma não invasiva.

Os dados serão transmitidos via Bluetooth para o telefone do usuário e a ideia é ainda ter conexão com médicos e profissionais da saúde. A empresa aposta que as análises de saliva vão substituir os exames de sangue. Atualmente, o produto ainda está em desenvolvimento nos Estados Unidos e o objetivo é ter a aprovação do FDA (agência reguladora de saúde americana) até 2027.

É verdade que as análises sanguíneas são cada vez mais extensas e detalhadas, mas resta saber o que os médicos poderão fazer com tantos dados recolhidos em tempo real.

NUCU

O Nucu não é exatamente um wearable. Na verdade, é um dispositivo que pode ser colocado em colchões e camas para monitorar o sono. O produto é voltado para crianças e adolescentes e tem como objetivo medir o sono, uma das questões que mais perturba pais de crianças pequenas.

Criado por pediatras e especialistas em saúde, o Nucu foi desenvolvido na Finlândia e promete captar a qualidade do sono a partir de um sensor que mede respiração, movimento e até batimentos cardíacos sem qualquer tipo de contato entre criança/adolescente e dispositivo.

O objetivo é ajudar os pais com informações muito mais precisas para que pais e médicos possam avaliar padrões de sono das crianças e criar estratégias mais apropriadas para melhorar a qualidade do descanso de cada uma delas. Pode ser uma solução para pais que já não conseguem acompanhar seus filhos pelas tradicionais câmeras e veem tanto as crianças quanto a si mesmos cada vez mais cansados.

ESTIMULADORES DO NERVO VAGO

Eles se parecem com pequenos tocadores de música, mas em vez de canções transmitem ondas elétricas para o cérebro. O objetivo é regular ansiedade e estresse, além de estimular o aumento de foco e energia.

O nervo vago controla funções vitais do corpo humano, como respiração e digestão e é considerado o responsável por frear os sintomas do estresse no nosso organismo. Esses dispositivos estimulariam o nervo vago de modo a ajudar usuários que sofram com questões como ansiedade, por exemplo. Mas, na verdade, podem ser usados por qualquer um já que influenciariam a qualidade do sono, do foco e até de performances esportivas.

Ainda são poucos os estudos sobre a eficácia desse tipo de estimulador, mas uma pesquisa recente da Universidade do Texas trouxe resultados animadores. Durante um ano, cientistas acompanharam um grupo de nove pessoas que sofriam de síndrome de estresse pós-traumático e enfrentavam dificuldade para amenizar seus sintomas. Em seis meses, todos eles apresentaram melhorias significativas.

Referências


Beck, B. B., Harrison, P.M., R.Shoreibah, R. et al. “Empowered or Overwhelmed? Wearable Health Technologies and Consumer Well-Being in the Context of Consumer–Physician Interactions.” Journal of Consumer Affairs 60, 1 (2026). https://doi.org/10.1111/joca.70040.

Powers, M.B, Hays, S. A., Rosenfeld, D. et al. “Vagus nerve stimulation therapy for treatment-resistant PTSD”. Brain Stimulation 18, 3 (2025): 665-675.