Como a tecnologia virou arma das seleções na Copa mais longa da história

- A Copa de 2026 será a mais longa e exigente da história, com 48 times, 104 jogos e calor extremo em campo
- Crioterapia, óculos bloqueadores de luz azul e pausas para hidratação: como o futebol de elite enfrenta o desafio
Principal torneio de futebol do mundo, a Copa já é um desafio físico e psicológico muito grande para seus participantes, mas nessa edição o torneio vai demandar ainda mais das seleções. Pela primeira vez desde sua criação, a Copa do Mundo será disputada por 48 times e acontecerá simultaneamente em três países, México, Estados Unidos e Canadá. No total, serão 104 jogos disputados ao longo de 39 dias, em 16 cidades diferentes, aumentando a distância e o tempo de deslocamento das seleções. Além disso, acontece no auge do verão do Hemisfério Norte, que a cada ano enfrenta temperaturas mais altas. Por outro lado, o futebol de elite hoje é totalmente diferente do de décadas atrás quando, por exemplo, o Brasil foi pentacampeão, tanto em termos de tática, exigência física e competitividade, quanto pela maneira como as equipes têm administrado performance e recuperação, fazendo cada vez mais uso da tecnologia. Sob essas novas condições, quais devem ser as estratégias das equipes e da própria Fifa para poupar os jogadores?
Uma das estratégias das seleções em Copas do Mundo tem sido priorizar a recuperação, encontrando formas de otimizar as viagens entre jogos e também quebrar os treinos em sessões mais curtas. O objetivo seria manter o estímulo físico sem sobrecarregar os jogadores ao longo das mais de cinco semanas de torneio (esta será a edição mais longa da história). Da parte da Fifa, a organização decidiu voltar com uma medida já implementada no Mundial de Clubes do ano passado (que aconteceu nos Estados Unidos também durante o verão): intervalos de três minutos para hidratação na metade de cada um dos tempos da partida, independente da temperatura do dia. Uma medida simples que pode amenizar os efeitos do calor, apesar de parte da comunidade científica continuar insistindo que não é o suficiente. Em partes do sul dos EUA e do norte do México, as temperaturas variam entre 30ºC e 35ºC nessa época do ano, por exemplo.
Se as condições em campo prometem ser adversas, o imediato pós-jogo se torna ainda mais importante. A recuperação dos atletas começa já nos vestiários. Em alguns times, os preparadores físicos começam ali mesmo o tratamento com banheiras de gelo e temperaturas baixas, além de reforçar a hidratação e a ingestão de proteínas e carboidratos. Dependendo do ritmo da disputa, alguns jogadores podem receber massagem ainda no estádio.


De outro lado, tem crescido muito o número de atletas adeptos a táticas de biohacking. De modo geral, o biohacking seria o uso de qualquer estratégias para otimizar saúde, performance e longevidade. Pode incluir sauna de infravermelho, rotina rígida de sono e crioterapia – o tal uso de temperaturas baixas para recuperação muscular mencionado acima. No futebol internacional, nomes como Cristiano Ronaldo e Erling Haaland são declarados adeptos destas técnicas. Mas, aqui no Brasil, este conceito também já faz parte da rotina de alguns times e jogadores. Os óculos bloqueadores de luz azul, usado para otimizar o descanso durante deslocamentos, chamou atenção de torcedores depois que jogadores do Mirassol passaram a usá-los nas viagens do time, que atualmente disputa a Série A do Campeonato Brasileiro e a Libertadores. Mas jogadores do Palmeiras também já são adeptos aos óculos e até mesmo Thiago Silva já foi fotografado usando o acessório.
Ou seja, se, por um lado, o clima deve ser mais um adversário dos jogadores; por outro, a tecnologia parece ser cada vez mais uma forte aliada. Resta saber quem ganha nessa disputa pelo 13º jogador em campo.
Referências
Chruma, P., Praça, G.M., Oliva-Lozano, J.M. et al. “FIFA World Cup 2026: Performance under pressure – Scientific guidelines for success”. Football Studies 1 (2026): 1-4. 10.1016/j.footst.2025.100008