Pesquisa mostra que jejum intermitente tem pouco impacto na perda de peso

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Pesquisa mostra que jejum intermitente tem pouco impacto na perda de peso
  • Revisão de 22 estudos conclui que o jejum intermitente tem pouca eficácia no emagrecimento em relação a dietas tradicionais
  • Benefícios como aumento de longevidade e redução do risco de câncer nunca foram comprovados em humanos

Já fazem alguns anos que o jejum intermitente ganhou fama e até hoje é uma prática usada por muitos que querem emagrecer. Existem vários tipos de dieta com jejum intermitente, aquelas em que a pessoa passa entre oito e 16 horas sem comer diariamente, diminuindo a janela de suas refeições, ou ainda a dieta em que durante dois dias na semana opta-se por fazer um jejum alimentar completo. A prática ajudaria na perda de peso, aumentaria a longevidade e diminuiria o risco de câncer. Mas os estudos que comprovariam estes últimos dois benefícios só foram feitos em animais e tais conclusões nunca apareceram em estudos feitos com humanos. Além disso, uma nova revisão científica, publicada em fevereiro, concluiu que a prática do jejum intermitente tem pouca influência no emagrecimento e deduziu que ainda é cedo para cravar qualquer outro benefício da prática.

Queridinho entre famosos e até hoje indicação corriqueira de muitos nutricionistas, o jejum intermitente nunca foi unanimidade entre a comunidade científica. Em 2022, uma pesquisa publicada no New England Journal of Medicine já havia apontado para uma inconsistência na eficácia dessa estratégia para a perda de peso. Na época, o estudo acompanhou 139 pessoas durante um ano. O grupo foi dividido em dois. O primeiro seguiu uma dieta de restrição calórica habitual e o segundo fez jejum diário de 12h, podendo comer apenas das 8h às 16h. Não houve qualquer diferença significativa entre os dois grupos: nem de peso, nem de circunferência abdominal, IMC, taxas de gordura e massa magra ou pressão arterial, por exemplo. Na verdade, o primeiro grupo até emagreceu mais: uma média de oito quilos contra uma média de 6,3 quilos do segundo.

Queridinho entre famosos e até hoje indicação corriqueira de muitos nutricionistas, o jejum intermitente nunca foi unanimidade entre a comunidade científica.

Uma revisão entre todos os 22 estudos já feitos com adultos sobre jejum intermitente e publicada este ano no Cochrane Database of Systematic Reviews reforçou a conclusão de 2022: a estratégia tem pouca eficácia entre pessoas com sobrepeso ou obesidade. O estudo não descarta que o jejum pode funcionar em alguns casos, mas não há muita diferença em relação aos tradicionais métodos de dieta. Isto é, redução do consumo calórico, ingestão de alimentos mais saudáveis e naturais e a prática consistente de exercícios físicos. Em entrevista à BBC, o professor emérito de metabolismo humano da Universidade de Oxford, Prof. Keith Frayn, disse que a pesquisa só reforça o que a maioria já entendeu: não existem atalhos nem soluções rápidas para quem está com sobrepeso ou luta contra a obesidade.

Referências

Liu, D., Huamg, Y., Huang, C. et al. “Calorie Restriction with or without Time-Restricted Eating in Weight Loss”. The New England Journal of Medicine, 386 (2022): 1495-1504.

Garegnani, L., Oltra, G., Ivaldi, D. et al. “ Intermittent fasting for adults with overweight or obesity”. Cochrane Database of Systematic Reviews (2026). https://doi.org/10.1002/14651858.CD015610.pub2.

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