Creatina, muito além das academias

- Conhecida por construir músculo, a creatina também demonstra efeitos positivos sobre memória e cognição
- Estudos iniciais associam a substância ao tratamento de Alzheimer e depressão, mas pesquisa ainda está em estágios iniciais
Marombeiro que é marombeiro tem a creatina na sua rotina de suplementação. Mas estudos recentes mostram que ela pode ser mais do que uma aliada na construção de músculo. O que as primeiras pesquisas mostram é que ela também traz benefícios para o cérebro, tendo impacto na memória e até no combate à depressão.
A creatina é uma substância vital para o organismo humano que ajuda a administrar a energia disponível em nossas células e tecidos. A creatina é produzida naturalmente pelos rins, fígado e pâncreas e armazenada nos músculos e cérebro.
Apesar de ser fabricada pelo nosso organismo, muitas vezes é preciso encontrar outras fontes da substância. A maioria das pesquisas feitas até agora sugere o consumo de 5g de creatina por dia e nosso corpo só seria capaz de produzir 2g. A saída é então complementar com alimentação e/ou suplemento.

Por servir como um aporte de energia rápida para células com alta demanda energética, a creatina tem demonstrado efeitos para além do músculo, para o nosso cérebro. Apesar de representar apenas 2% da nossa massa corporal, o cérebro consome em média 20% da nossa energia.
Um estudo recente publicado na National Library of Medicine sugere que a creatina pode servir como terapia alternativa no tratamento do Alzheimer. Outra pesquisa realizada por cientistas do centro Forschungszentrum Jülich, na Alemanha, em 2024, parece corroborar o impacto da creatina na cognição humana, indicando que a suplementação da substância pode fortalecer tanto a memória de trabalho quanto a recente em pessoas que sofrem de privação de sono, por exemplo.

De outro lado, a creatina poderia ajudar ainda no tratamento da depressão, já que alguns estudos associam um desequilíbrio energético no cérebro ao desenvolvimento da doença.
Se a eficácia da creatina para construção e manutenção de massa muscular já é amplamente aceita pela comunidade científica, sua relação com a cognição ainda está em estágios iniciais de pesquisa. Mas o caminho parece promissor e, ao que tudo indica, a creatina pode sair dos limites das academias.
Referências
Smith, A.N., Morris J.K., Carbuhn, A.F. et al. “Creatine as a Therapeutic Target in Alzheimer's Disease”. Current Developments in Nutrition 7 (2023). 10.1016/j.cdnut.2023.102011
Gordji-Nejad, A., Matusch, A., Kleedörfer, S. et al. “Single dose creatine improves cognitive performance and induces changes in cerebral high energy phosphates during sleep deprivation”. Sci Rep 14, 4937 (2024). https://doi.org/10.1038/s41598-024-54249-9