A dieta nas Zonas Azuis, as mais longevas e saudáveis do mundo

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A dieta nas Zonas Azuis, as mais longevas e saudáveis do mundo
  • O segredo dos centenários não está na creatina nem no whey protein, está no prato e na comunidade
  • Okinawa, Sardenha e Icária têm em comum uma alimentação mais voltada para os vegetais, cotidiano ativo e poucos ultraprocessados

Desde que a Netflix lançou um documentário sobre as chamadas “Zonas Azuis”, cada vez mais pessoas têm se interessado por elas. Okinawa (Japão), Sardenha (Itália), Loma Linda (EUA), Icaria (Grécia) e Nicoya (Costa Rica) são as cinco cidades do mundo que concentram alto número de pessoas com idade avançada e com boa saúde. Por mais que hoje se viva cada vez mais, o comum é que isso aconteça em condições de saúde debilitada ou com alguma doença crônica. Então, qual o segredo dessas populações? Em comum, esses lugares combinam um estilo de vida que inclui um cotidiano fisicamente ativo, senso de comunidade e uma alimentação equilibrada. O revés? É muito difícil copiar esse modo de vida em grandes centros urbanos, a não ser pela dieta – que, de fato, tem princípios bastante simples.

A maioria das dietas têm como objetivo emagrecer, mas a das Zonas Azuis é diferente. Aqui, a meta é envelhecer com qualidade de vida. Os moradores dessas regiões provavelmente nunca ouviram falar em creatina ou whey protein, também nunca pisaram uma academia, mas carregam suas sacolas de mercado para cima e para baixo pelas ruas das cidades que vivem. Então, esqueça balança para medir quantidade de carboidrato e suplemento de proteína. O segredo é manter a dieta o mais natural possível. Da horta, do mar ou do campo direto para o prato. Na prática, não parece tão difícil, mas tem que resistir às comidas prontas que nos ganham tempo no dia a dia. Os chamados “centenários” também não são familiarizados com o delivery e cozinham suas próprias refeições – aí pode começar a ficar complicado para alguns. No prato, a maioria dos alimentos é de origem vegetal. Eles comem peixe só algumas vezes por semana e carne vermelha é rara no cardápio. As três categorias alimentares base dos moradores das Zonas Azuis são folhas verdes, grãos e oleaginosas (castanhas e sementes). Além disso, em nenhuma das zonas, costuma-se comer leite de vaca e seus derivados. Mesmo na Sardenha, o queijo consumido é feito de leite de ovelha. Na maioria dessas regiões, o vinho e o café fazem parte da rotina – mas em doses modicas, claro.

Estudos sugerem que padrões alimentares semelhantes aos das Zonas Azuis podem ajudar a reduzir o risco de doenças cardiovasculares, câncer e diabetes. Uma das explicações seria o alto consumo de alimentos fermentados, ricos em probióticos, além de alimentos anti-inflamatórios e ricos em antioxidantes que ajudariam a frear o envelhecimento celular. Ainda assim, são cautelosos ao lembrar que sozinha a comida não explica a saúde desses centenários. O mais provável é uma combinação de fatores e um pouco de genética.

Referências

Mohol, P., Ghosh, A. e Kulkarni, S. “Blue Zone Dietary Patterns, Telomere Length Maintenance, and Longevity: A Critical Review”. Current Research in Nutrition and Food Science 13, 2 (2025). http://dx.doi.org/10.12944/CRNFSJ.13.2.6